Izabel Toscano - Correio Braziliense
Publicação: 18/11/2008 08:48 Atualização: 18/11/2008 08:51
O assédio do público e os flashes a pegaram de surpresa. Tímida, a loira de 1,60m de altura, se assustou no primeiro desfile e ensaio fotográfico que fez na vida. Os assobios, as cantadas dos rapazes e os elogios das senhoras que passavam pela rua fizeram a jovem de 19 anos suar frio. Da barriga aos pés. A pedido do Correio, ela usou o centro de sua cidade natal como cenário para preparar-se para o grande dia em que disputará o título de Miss Ceilândia 2009, primeiro evento do gênero na cidade.No fim das contas, Mileyde Salete de Araújo tomou gosto. “Fiquei com muita vergonha. Mas depois me senti uma Gisele Bündchen”, divertiu-se ela, referindo-se a uma das maiores modelos do mundo. Ela, Mirelle Feliciano Amaro, 21, e Evanielle Teixeira da Silva, 18, ambas moradoras de Ceilândia, fazem parte do time das primeiras candidatas inscritas no concurso desde a última sexta-feira. Mas a organização do evento já se preparou: se o número de interessadas ultrapassar 50 haverá uma pré-seleção. As inscrições seguem até 30 de novembro.De toda forma, a escolha da miss Ceilândia ocorrerá em 17 de dezembro. O prêmio? Representar sua cidade no Miss DF que será realizado em março de 2009. E daí para o Miss Brasil é um pulo. A vencedora receberá a inscrição do concurso nacional — no valor de R$ 30 mil — gratuitamente e as passagens de ida e volta para o grande final da festa.CondiçõesPor enquanto, as regiões administrativas do Distrito Federal realizam as seletivas. Algumas cidades optam por indicar sua representante. Em Ceilândia, pela primeira vez, a candidata será escolhida em evento nos moldes da competição nacional. Para tanto, basta ter idade maior que 18 anos e menor que 24, ser solteira e não ter filhos.Mileyde entrou na disputa por incentivo dos amigos. “Sou tímida, nunca pensei em participar de algo assim. Mas meus colegas insistiram, disseram que eu levava jeito. Como não exigem altura eu tomei coragem”, disse a estudante de jornalismo de 1,60m de altura. Para não fazer feio, ela intensificou as idas à academia. “Tenho orgulho da minha cidade. Se eu ganhar ficarei muito feliz em representá-la.”Outra estudante, Mirelle já tem ar de profissional. Pose e olhar. Com os cabelos pretos compridos, a jovem de 1,76m já desfilou, fotografou e participou de eventos locais de beleza. Daí a desenvoltura. “Há quatro anos, conheci uma menina que foi Miss DF e eu me encantei. Ser miss se tornou meu sonho. Porque o padrão é diferente da modelo. É mais sorridente, valoriza mais o carisma e menos a magreza e a seriedade na passarela”, analisou.No ano passado, garante ela, chegou a ser indicada a representar Ceilândia no concurso de beleza local. “Mas por falta de verba nenhuma menina da cidade chegou ao concurso”, lembrou Mirelle, que estuda comunicação social e quer fazer concurso público. Este ano, ela já se programa para cuidar da pele e do cabelo e vencer a disputa. “E me preparo também na frente do espelho”, se diverte.“Mas, para ser miss, não basta ser modelo. Tem que se preocupar com o que está representando, tem que ser inteligente e saber lidar com a questão social. Porque a menina pode estar saindo de Ceilândia para o DF e, quem sabe, para representar o país”, ensina.CidadaniaPara o administrador de Ceilândia, Leonardo Moraes, realizar a seletiva é uma forma de inclusão social. “Quando a organização do evento me procurou, me deram a opção de indicar uma menina. Mas por que, se o melhor é que todas possam disputar? O concurso tem que ser mais um motivo de inclusão para que essas meninas não fiquem apenas deslumbradas com dinheiro e sucesso”, disse ele.Sendo assim, as meninas inscritas passarão por oficinas de boas maneiras para aprenderem a se comportar de acordo com as regras de etiqueta, e terão orientações por meio de palestras. “Não é apenas um evento de beleza, ele também promove a cidadania. Por isso, vamos oferecer um ciclo de palestras que vão desde a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis à economia doméstica”, acrescentou o administrador.Para a estudante Evanielle, o concurso Miss Ceilândia chegou para lhe dar ânimo. Nos últimos anos, a jovem havia desacelerado na busca pela profissão de modelo. “Fiz curso, entrei para uma agência, mas quase nunca era chamada. Isso desanima”, contou.Com o incentivo do pai, Evanio da Silva, 43, que trabalha na construção civil, a menina retomou as forças. “Damos todo o apoio. Sempre digo para ela não se iludir para não sofrer. Mas fazemos tudo o que está ao nosso alcance para apoiá-la e vê-la feliz”, disse ele.“Ser modelo é meu sonho desde os 6 anos de idade. Sempre me dediquei, participei de concursos e disputas de beleza. E, agora, se eu puder dar orgulho à cidade onde cresci, ficarei muito feliz”, disse Evanielle, que nasceu em Unaí (MG). “Mas sinto como se tivesse nascido aqui. Eu amo Ceilândia”, emendou. Para se inscrever, basta se enquadrar nos critérios e preencher um formulário na Administração Regional da cidade.